Dia Mundial de Combate à Tuberculose: Brasil registra 85,9 mil casos e reforça alerta sobre doença infecciosa

Profa. Dra. Cássia Estofolete, infectologista e professora da FAMERP (foto: Johnny Torres / FAMERP Divulgação)

Celebrado em 24 de março, o Dia Mundial de Combate à Tuberculose reacende o alerta para uma doença que ainda está longe de ser erradicada. Em 2024, o Brasil registrou 85.936 novos casos, mantendo a tuberculose como um dos principais desafios de saúde pública no país. Dados preliminares também apontam 6.315 mortes no mesmo período.

No cenário global, a doença segue entre as mais letais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10,7 milhões de pessoas adoeceram em 2024 e aproximadamente 1,23 milhão morreram. Apesar de uma leve queda na incidência mundial, o ritmo ainda está abaixo das metas internacionais de eliminação.

De acordo com a infectologista e professora da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), Cássia Estofolete, a tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, conhecida como bacilo de Koch, e afeta principalmente os pulmões. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar.

Os principais sintomas incluem tosse persistente por três semanas ou mais, febre, suor noturno, cansaço, perda de peso e dor no peito ao respirar. A especialista destaca que a demora na identificação desses sinais contribui para o diagnóstico tardio e para a continuidade da transmissão.

Desigualdade social amplia impacto da doença

A tuberculose mantém forte relação com fatores sociais e atinge, de forma mais intensa, populações em situação de vulnerabilidade, como pessoas privadas de liberdade, em situação de rua, vivendo com HIV/Aids, além de indígenas e imigrantes.

Além dos impactos na saúde, a doença também afeta diretamente a renda familiar. Estimativas da OMS indicam que quase metade das famílias afetadas enfrentou custos elevados, superiores a 20% da renda anual, entre 2015 e 2024.

Avanços e desafios no combate à tuberculose

Apesar dos números preocupantes, o Brasil apresenta avanços importantes no enfrentamento da doença. Cerca de 89% dos casos foram diagnosticados e notificados oficialmente em 2024, e o país lidera, entre nações de alta carga, o índice de cobertura de serviços de saúde da OMS, com mais de 80%.

Houve ainda crescimento de 39,1% no tratamento preventivo entre contatos de pacientes e ampliação do acesso ao diagnóstico molecular rápido, considerado essencial para identificação precoce.

No campo do investimento público, o Ministério da Saúde destinou R$ 100 milhões em 2024 para ações de vigilância, prevenção e controle da tuberculose em estados e municípios. A medida busca fortalecer a atenção primária, ampliar o diagnóstico e garantir o acompanhamento adequado dos pacientes.

Alerta permanece

Especialistas reforçam que o combate à tuberculose depende da identificação precoce dos sintomas e da busca por atendimento médico. O diagnóstico rápido e o tratamento adequado são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e reduzir os índices da doença no país.