Mirassol entrou para a história da saúde pública brasileira ao se tornar o primeiro município do país a iniciar a vacinação contra a chikungunya. A enfermeira Maria do Rozário Drigo Fernandes, que atua no Centro de Saúde II (Postão), em Mirassol, foi a primeira brasileira vacinada e destacou a emoção do momento.
A largada da imunização só foi possível graças aos estudos científicos liderados pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), em parceria com a Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme), que garantiram a segurança e a eficácia da vacina.
O imunizante contra a chikungunya foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva, em parceria com o Instituto Butantan, e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. A aplicação inicial ocorre de forma estratégica em municípios considerados de maior risco epidemiológico.
O município recebeu um primeiro lote com 2.400 doses e a expectativa é vacinar cerca de 37.500 pessoas. O imunizante já está sendo aplicado nas unidades de saúde de Mirassol, moradores com idade entre 18 e 59 anos podem receber a vacina gratuitamente.
Público-alvo da campanha:
Moradores de Mirassol com idade entre 18 e 59 anos
Vacinação gratuita nas unidades de saúde da cidade
Início da campanha
O início da campanha foi acompanhado por autoridades como o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Dr. Eleuses Paiva, e pela médica infectologista Profª Drª Cassia Estofolete. Também estiveram presentes o prefeito de Mirassol, Edson Antonio Ermenegildo, pelo vice-prefeito Beto Feres, pelo secretário municipal da Saúde, Frank Hulder de Oliveira, além de vereadores, autoridades locais e representantes da DRS – Divisão Regional de Saúde.

A vacinação em Mirassol é resultado de um longo processo de pesquisa clínica, do qual a Famerp foi a única instituição de ensino superior participante. A faculdade esteve envolvida em todas as etapas dos estudos, consolidando o papel da região como polo estratégico de ciência e inovação em saúde.
Para o secretário estadual da Saúde, Dr. Eleuses Paiva, o protagonismo da Famerp reforça a relevância da instituição no cenário nacional. “A Famerp é um polo de ciência extremamente importante, não só para a região noroeste, mas hoje é um motivo de orgulho para o nosso país”, afirmou.
Segundo Paiva, a participação da faculdade foi fundamental para a comprovação da segurança e da eficácia do imunizante. “A Famerp foi extremamente importante para a gente poder avançar, principalmente nos estudos de fase três, que fizemos no Brasil. A Famerp foi um desses polos, onde nós tratávamos tanto populações mais jovens como populações dessa faixa etária, para ver qual a resposta”, explicou.
De acordo com o secretário, os resultados obtidos no país foram equivalentes aos observados em estudos realizados na Europa. “Aqui no Brasil, a resposta foi muito similar: 98,7% dos voluntários tiveram produção de anticorpos neutralizantes”, completou.
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e tem apresentado crescimento expressivo no país. Dados do Ministério da Saúde indicam que, somente em 2024, foram registrados 263.502 casos e 246 óbitos no Brasil. A doença pode causar febre alta, dores intensas nas articulações, dores musculares e, em alguns casos, complicações neurológicas. Como não há tratamento antiviral específico, a vacinação é considerada a principal estratégia de prevenção.
























